Wednesday, October 11, 2006

 
Clandestino, Manu Chao

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazón
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel
Pa' una ciudad del norte
Yo me fui a trabajar
Mi vida la dejé
Entre Ceuta y Gibraltar
Soy una raya en el mar
Fantasma en la ciudad
Mi vida va prohibida
Dice la autoridad
Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Por no llevar papel
Perdido en el corazón
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Yo soy el quiebra ley
Mano Negra clandestina
Peruano clandestino
Africano clandestino
Marijuana ilegal
Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazón
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel

 
Clandestino, Manu Caho

Clandestino, Manu Chao
Música oficial do Imigrante Clandestino, dedicada a todos os imigrantes que deixam para trás a sua pátria para procurar uma vida melhor...

Home is where your heart is

Saudações sentidas, Anatolyi

Saturday, September 30, 2006

 


Ontem, dia 29 de Setembro, pela primeira vez desde que cheguei a este belo país tive a oportunidade de assistir a um concerto de uma banda de “covers”,e fiquei impressionado , pois na Ucrânia este tipo de bandas são um fenómeno pouco comum (aliás , a única coisa que é permitida vocalizar com um tom musical sem ter que se sofrer a intervenção policial é o hino nacional e algumas musicas de rancho folclórico; dai a explicação para o tom de voz monocórdico dos povos de países do leste).

Bem, a razão para tal espanto (para além daquele anteriormente referido) foi que ao chegar ao local do concerto comecei a isolar-me nos diferentes temas de conversas que os jovens em meu redor tinham, e não consegui de deixar de reparar que todos eles comentavam as pessoas presentes e a razão pela qual essas pessoas estariam ali…bem uma que de facto me surpreendeu foi um colega desaparecido do mapa à já muito tempo (colega esse que num futuro próximo irá ser comentado nacionalmente se não mundialmente), e que o que me intrigava não era a conversa que ele tinha mas sim as conversas que as pessoas em redor dele ou que já tinham reparado nele tinham; e vou passar a enunciar: “ eheh olha quem é que está ali….e pá ouvi dizer que o gajo anda a jogar a bola e a ganhar imenso dinheiro….acho que vou lá fazer-me amigo dele; é capaz de ser um investimento a longo prazo…. Daqui a uns anos sou capaz de estar a passar feiras num casarão na quinta do lago e a andar de Ferrari “, e era mais ou menos o tema de conversa das pessoas que rodeavam aquele pobre rapaz que provavelmente achava que estava rodeado de amigos mas no fundo estava era cercado de interesseiros. Deixo aqui um apelo à juventude portuguesa: continuem assim porque senão ou acabam nas obras, ou acabam como a maioria das pessoas da minha querida terra natal, licenciadas em medicina mas e emprego! Em suma façam-se amigos dos ricos e vivam as custas deles!

Dos Vedanya!


Friday, September 29, 2006

 

Anatolyi está feliz, finalmente encontrou país onde pode viver sem medo de ser despachado para Sibéria e onde pode também interagir com pessoas com estatuto social maior que Anatolyi. Anatolyi teve de vender família, rim e metade de sangue de Anatolyi para chegar a Portugal, mas Anatolyi pode garantir que Portugal é muito mais civilizado que Ukrajina, aqui (Anatolyi informou-se com senhora atrás de vidro a ler jornal) Anatolyi e camaradas têm direito a cartão de trabalho, para legalizar e não ser deportado para GroznyLand.
Apesar de ter esse direito Anatolyi, Yuri e Vladyslav foram informados que se trabalharem para o senhor da camisa aberta com cachecol vermelho e branco no carro (hábito pouco ortodoxo em Ukranija), têm estatuto especial e podem até receber dinheiro em troca de trabalho!!!
A viagem foi muito engraçada, em Ukranija, americano e português (de bigode e com crachá com galinha em cima de bola), disseram para entrar no caixote, que era um jogo divertido, Anatolyi acreditou pois mãe sempre ensinou, "não contrariar os senhores de fato e gravata". Anatolyi fica muito contente pois a caixa tinha dimensões fantásticas, considerando preço...
Anatolyi conhece dois novos amigos em caixa: Yuri senhor de Ukranija, que cheirava a mofo; e Vladyslav que vinha de Rússia, que era muito parecido com filho de avó de Anatolyi. Todos nós, camaradas de URSS, arranjámos um trabalho em Lusitânia, com o homem que Anatolyi descreveu.

Anatolyi feliz, Portugal fantástico (quase tanto quanto Arménia mas Arménia muito mais cara)


Dos Vedanjia, saudações sentidas


Anatolyi

 

Agora que este blog está oficialmente inaugurado, penso que me sinto no direito de fazer uma breve apreciação dos meus primeiros dias em Portugal... Têm sido, no geral, muito bons pois apercebi-me que esta bela terra lusitana era, de facto, a terra das óportunidades. Como assim, perguntam-se? Bem, mal cheguei a Lisboa, desempacotaram-me a mim e aos meus compatriotas e levaram-nos para a parte de trás da estação dos comboios. Mal lá chegámos estava um senhor de camisa desapertada e pêlos do peito à vista(estranho hábito para mim pois na Ucrânia quem usa menos que duas camisolas e um casaco peles morre de hipotermia), disse-nos algo muito alto e notei um hálito a uma bebida alcoólica muito pouco divulgada na Ucrânia(vinho) e de seguida convidou-nos* a escrever um x numa caixinha de uma folha de papel cheia de letras, ora como ele até pediu com jeitinho eu fiz-lhe a vontade. De seguida deu-me um belo tabefe e disse-me algo com um grande sorriso(provavelmente um gesto de boas-vindas). Por fim levou-nos a todos( eu e os meus camaradas) para uma carrinha de 4 lugares e fez-nos o gesto para entrar-mos todos lá. Nunca tinha visto ninguém a pôr 33 pessoas de uma média de estatura de 1.90 m a entrar para a bagageira de um ford fiesta, isso até ver o senhor do peito aberto a enfiar-nos com a sua sola do sapato lá dentro. Depois de uma breve viagem de 8 horas chegámos ao nosso destino. A princípio não percebi onde é que iríamos ficar, mas quando nos apontaram para uma casa** que fazia lembrar a minha lá no meu grandioso país, fiquei cheio de vontade de me instalar. No dia seguinte de manhã( 4h30) acordei com o som da minha cabeça a rachar depois de levar com uma pá das obras na mesma; disseram-me algo muito alto(calculo que fosse para se certificarem que eu já não voltava a adormecer) e deram-me a mesma pá com que me bateram. Cinco minutos mais tarde estava a acarretar baldes de cimento.
Enfim, sinto-me feliz... que é que se pode dizer, estou em Portugal há menos de um dia e já tenho trabalho nas obras... e tenho meia carcaça totalmente GRÁTIS para comer durante o dia!
Bem, resta-me dizer, obrigado Portugal, por seres a terra das óportunidades!




* Gritou tresloucadamente
**Cabana de 3 metros quadrados e de apenas duas paredes

 
Nasdrovja!!!
Vladyslav saúda-vos!


Primeiro uma página na interweb....depois, um livro, algures no futuro................O MUNDO!!!!!


Dos Vedanya!!!!(Sayonara...)

Thursday, September 28, 2006

 
















Este blog nasceu num dia em que, um grupo de companheiros de escola, amigos, compatriotas e um pouco de magia foram misturados juntamente com mais 300 imigrantes ilegais dentro duma caixa a qual seguiu caminho num comboio com rumo a Portugal. Ao chegar a Portugal não consegui de deixar de reparar em alguns aspectos dignos da iniciação de um diário. Logo decidi criar este blog, não com o propósito de “espalhar” o meu ponto de vista, mas sim como um mero registo de ideias e de pensamentos que tornam o simples quotidiano de um jovem ucraniano chamado Yuri, (sim este foi o bonito nome que herdei do meu bom pai) numa vida fantástica cheia de aventuras e historias que merecem ser relatadas. (texto escrito por um redactor pois Yuri na realidade não sabe escrever e é um simples ucraniano iletrado que mal sabe falar português).

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